quarta-feira, dezembro 22, 2004

Viagem no Tempo - Sobrevivência no Passado


Como sinto falta das comodidades comuns do tempo presente deixado para trás, que virou futuro de hoje. Lojas onde comprar comida e as roupas. Um banheiro decente, uma cama decente. Ficou tudo tão difícil. A falta que me faz um bom óculos de sol.
Isso tudo creio que se torne tolerável com o passar do tempo. Mas tem uma coisa que sinto falta: alguém com quem conversar sobre isso tudo, nem tem como.
Ainda não tenho meios de escrever, muito menos livros para ler, embora já existam neste tempo corrente, tanto como a escrita. Precisaria ter um acesso mais fácil com pessoas aqui que fizessem uso disso. Talvez os jesuítas fossem uma alternativa, apesar de ter que me cercar de cuidados do que falar para evitar quaisquer problemas futuros.
Procurarei por uma capela.

Arrumei umas roupas mais dessa época, acabei por afanar de varais de uma casa que passei perto no caminho. Não estava afim de ter cometido o furto, mas não tive alternativa. Era isso ou vestir-me como um índio.
Ah, pensei em uma possibilidade, meus tra�os orientais podem passar despercebidos se eu me bronzear bastante. Não sei se eu conseguiria enganar um índio, mas certamente enganarei qualquer colonizador que encontrar pelo caminho. Bom, suponho que a essa altura alguns índios já consigam se comunicar em português. Então poderei passar por um sem muitos problemas espero. Vou ter que me bronzear bastante. Ainda bem que minha pele fica escuro logo e demora para perder, apesar de odiar muito fazer isso. Farei com moderação.

Com o passar das semanas alimentando-me com frutas silvestres e procurando raízes para comer fiquei com saudades da comida de casa. Reclamava demais. Aprendi a pegar alguns peixes pequenos nos riachos que encontrava pelo caminho usando um arpãozinho fininho que fiz com um galho de uma árvore comprida e reta o suficiente. Eu não estava nem um pouco afim de fazer sashimi daquilo e muito menos comer cru direto como faz Solid Snake no jogo MGS3 Snake Eater. Tive que aprender a fazer fogo sem fósforo e sem isqueiro. Tentei fazer como apareceu no filme Náufrago com Tom Hanks. Sem chance. Fiquei horas raspando e aquecer o toco de madeira que é bom nada. Esquentava, mas muito pouco. Mesmo colocando gravetos fininhos junto à área de atrito. Que difícil.

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Viagem no Tempo


Pensando no filme 'Back to The Future' do Robert Zemeckis, fiquei imaginando como seria voltar no século XVII-XVIII aqui no Brasil como um exercício de imaginação e de possibilidades.

Chegando no Brasil do passado, provavelmente no meio do matagal da Mata Atlântica que constituía aqui em São Paulo, iria à procura de algum agrupamento humano. Encontrando um, eu provavelmente já teria um problema logo de cara: meus traços orientais, seria visto como um alienígena e um forasteiro. Bom vou ignorar isso e continuar.

Depois de muito caminhar pela mata, levar picada de monte de mosquitos, enfrentar aclives e declives que certamente são as mesmas que caracterizam o relevo onde está a cidade de São Paulo, vi uma clareira e um agrupamento humano, e foi correndo na direção dela.

Observei algumas casas feitas de barro e madeira ou palha, procurei não observar muito diretamente quem encontrava no caminho, afim de não gerar provocações, uma vez que percebi que as pessoas me viam com suspeitas. Óbvio, percebi o porquê disso: estava com as roupas do século XX/XXI. Tinha me esquecido disso. Que apuro.

Voltei para a mata mas o que poderia fazer? Vestir-se como índio? Roubar as roupas de alguém? Fora de questão.
A fome então começou a apertar, a inexperiência pela caça e pesca me impediu algo nesta direção, faltavam-me as ferramentas para isso: um arpão, flecha ou mesmo um simples anzol e linha de pescar. Pelo menos não senti falta de água, riachos eram muito comuns por onde quer que caminhasse aqui na Mata Atlântica, ao contrário dos tempos futuros, ou melhor, atuais onde só predominam os rios de esgoto e os mais caudalosos como o Tietê, Pinheiros, Tamanduateí para citar alguns.

Certamente poderia ter trazido comigo alguns objetos básicos, mas não foi minha opção. Devia ter preparado melhor para essa aventura, um curso de escoteiro ou coisa do gênero. Algum curso de sobrevivência na mata. Devia ter trazido pelo menos alguma bússola simples, facilitaria muito minhas caminhadas, ficar perdido foi o que mais aconteceu. E estou com fome.

Comecei a procurar por frutas nativas para comer ao longo da mata. Duro aguentar as picadas de mosquito, meu único temor é contrair alguma doença transmitida por eles, como febre amarela ou malária, ou na pior das hipóteses, o mal de Chagas ainda desconhecido. Bom, sabendo que o maior reservatório desses males constituem outros animais e o próprio homem, se estiver num local sem muito bicho, talvez não haja muito perigo. Ahhh, a pior parte foi dormir ao relento e construir "cabanas" com o que lembro do "Manual do Escoteiro Mirim" que li quando criança. Eu já dormi sem colchão algumas vezes, o mais difícil era suportar a irregularidade do local e principalmente a sensação de frio pela perda de calor para o solo.
...continua...


sexta-feira, dezembro 03, 2004

Doação de Sangue vs Pintas-Verrugas



Anteontem fui para o Instituto de Engenharia aqui em São Paulo e para aproveitar, fui doar sangue no Hospital Dante Pazzanese que fica do lado, ambos próximo ao DETRAN no Ibirapuera. Fui um doador regular e como fazia mais de um ano que não fazia fui lá.

Tudo corria bem até o exame de anemia. Antes de furar o dedo para extrair uma amostra para o teste a pessoa resposável perguntou-me sobre o curativo ao lado do meu olho. Eu havia ido no médico uma semana antes para retirar umas duas verrugas grandes suspeitas que eu tinha, um sob a axila e uma pinta do lado do olho que me incomodava. Ambos estavam crescendo com o tempo. Bom, ao responder isso, a médica que estava do lado e a enfermeira me disseram que eu tinha que esperar o resultado da biópsia do tecido (da pinta e verruga) antes de doar. Eu perguntei o que uma coisa tem a ver com a outra. Mas não me responderam.

Possivelmente é uma conduta de cautela, mas sem fundamento. Afinal e se fosse pinta que não estivesse exposta? Bom não adiantaria ficar polemizando. Dei meia-volta e fui embora. Fiquei um pouco chateado. Uma cautela talvez pessoal da parte deles ou talvez norma do Pró-Sangue.