sábado, outubro 08, 2005

A Imprensa e o Referendo




Antes que os optantes pelo SIM me condenem ou que me julguem influenciado pela revista supracitada, faço alguns questionamentos: Que raios de imprensa é essa que temos? Desde quando é função dela Pré Estabelecer a escolha do leitor?

Há anos sei que ela–a revista– é deveras manipuladora. Visto ser ela a revista de circulação de maior tiragem e penetração por aqui, claro que se venderia aos lobbistas de armamentos. Se não foi isso, então a revista fez o que sempre vem fazendo, a parcialidade. Minha família é assinante há anos e sempre a li com ressalvas por esse motivo. E essa reportagem apenas reforça isso.

Posso entender a posição de quem defende pela opção 2. Por um experiência infeliz de um passado remoto, eu brincando com uma Rossi calibre 38 de meu pai um certo dia que não tinha nada que fazer; engatilhei o "cão" da arma. Eu me encontrava no quarto dele. Estava sozinho. Fiquei desesperado, imaginei que precisaria dar um tiro para cima da sacada de minha casa para sair do sufoco. Não tinha como levar para um local isolado, seria muito perigoso. Andar na rua com ele nem pensar! Só meu pai tinha o porte de arma na época. Olhei para a pistola, sabia que estava carregada. Passado alguns minutos, lembrei-me do pouco que meu pai explicou das aulas de tiro que ele teve que fazer para ter o "porte" da arma: o de deixar descarregado o primeiro tiro da pistola. Olhei e vi que estava como ele descreveu, descarregado e o restante carregado. Lembro-me que foi difícil de perceber isso porque o tambor já tinha girado. E só então respirei aliviado e puxei o gatilho sabendo que não aconteceria nada. Recordei do meu pai ter mostrado como desarmá-lo sem disparar, mesmo engatilhado. Mas na hora do nervosismo nem pensei em fazê-lo. Desde então nunca mais brinquei com ela.

Infelizmente existem os acidentes no uso.
Motoristas agindo no ímpeto da raiva, no trânsito, uma colisão com outrem, percebe o clima de "briga" ou o "sangue sobe à cabeça" já vai saindo com arma e no fim, matou ou feriu a outra pessoa. Depois do ocorrido pensa e já é tarde, matou um estranho por um motivo fútil, matou um pai de família, filho de alguém, ou feriu.
Um casal, um dos cônjuges percebe que o outro está traindo, está tendo um "caso", fica nervoso, pega a arma, ou arruma uma arma ilegal ou de alguém e dá o tiro nos dois, fere um mata o outro, ou fere ambos. Tragédia.
Em casa, bairro inseguro, o pai apanha a arma porque percebeu na calada da noite passos de alguém. Nervoso, dispara, percebe depois que o vulto era seu filho. Matou o filho, tragédia, tristeza e luto.
Muitos outros "causos", repetições de lugares comuns, argumentos usados pelos propaladores do SIM. Sei que se tratam de bordões apelativos.

Isso não é conseqüência da arma, da sua presença nas proximidades, mas sim do sujeito, do dono e das pessoas próximas a ele, a família. Ou seja, faltou ensinar, disciplinar seu uso, faltou um treinamento. Faltou formação, faltou educar. Aqui em casa por exemplo, meu pai nunca exigiu que só o pegássemos em "último caso". Quantas foram as vezes como disse acima, ficava brincando com ela, geralmente descarregada ou depois de uma limpada e lubrificada, como eu fazia com alguma freqüência, pois curtia isso. Eu nunca vi meu pai brincando com o revólver, não sei quanto aos meus irmãos, certamente porque recebeu treino e sobre o perigo do seu manuseio, e foi num dos melhores cursos daqui de São Paulo. Mas não foi meu caso. Enquanto eu, mesmo sabendo do perigo do seu manuseio incorreto, brincava com ela depois de fazer sua lubrificação. Geramente em momentos de tédio e solidão em minha residência. Nunca culpei meu pai pelo "quase-acidente" que foi. Por ter uma arma aqui em casa, pela liberdade de seu uso e posse. Sim, faltou esclarecimento. Possivelmente porque ele nunca me viu brincando com a pistola e jamais comentei até o ocorrido. Julgou que dificilmente poderia acontecer algo. Um engano muito comum, aconteceu aqui na minha família, então acontece em muitas outras. Descuido que pode resultar em fatalidade, concordo.

Nem por isso abro mão de ter um. Minha família tem um sítio em um local isolado, meu pai sempre ia com a arma até lá. Por isso que repito. Prefiro ter arma, e existir a possibilidade de comprar uma e da disponibilidade da compra de munições. O lugar fica longe 1h30min de uma zona urbana. Uma estrada cascalhada onde não se tem como passar dos 50km/h. A polícia, na melhor das hipóteses demoraria 1h para chegar lá, isso correndo que nem louco, o que acho pouco provável que façam. A cidade é pobre e pequena, nem sei quão equipado está o de lá. A região virou há tempos um antro de criminosos refugiados, infelizmente. Inclusive acharam um corpo de um político famoso morto por circunstâncias duvidosas nas proximidades cuja investigação prossegue até hoje, inconclusivo.

Sem poder ter arma ou da possibilidade de poder possuir um como é que vou deter, coagir, coibir a ação de criminosos que possam ver nossa presença no local como uma oportunidade de "arrancar" dinheiro ou pior, sequestrar-nos até alguma cidade a um caixa eletrônico para sacar? Nunca fomos com muito dinheiro para lá. Quando meu pai comprou o sítio, não era local perigoso, ele já tem 20 anos. Hoje se tornou um. Por quê? Impunidade, a polícia não chega lá possivelmente. Todos vizinhos do meu sítio sabem que meu pai anda armado, pois já praticamos diversos tiros ao alvo com essa mesma pistola. Eu inclusive. E quem não sabe como é um local isolado, o disparo de um tiro é audível de looonge. Eu ouvia meu pai disparando a mais de um 1km de distância. Os cachorros sumiam nesses momentos.

Se não tiver como possuir uma arma como vou poder ir lá? Como escreveu meu amigo Sturaro em seu blog, vou repetir, o que vou ter para me defender:
1) foice
2) faca/fação
3) arpão ( haja força )
4) soco
5) pau
6) chute
7) carro ( para atropelar – esse é complicado no sítio, muita lama)

Ou me aprimoro um pouco:
8) besta/crossbow ( para quem não conhece, é arco e flecha na forma de pistola )
9) arco-e-flexa ( vou virar Robin Hood )
10) Artes Marciais ( Judô, karatê, krav maga, jiujitsu, aikido )
11) máquinas/robôs ( esse é difícil )

Costumava ir mensalmente lá. Hoje, problemas de saúde de meu pai impedem ir com tanta freqüência como antes. Tios e primos meus que são proprietários de terra em MS, MT e PR andam armados. Principalmente o de MT, cuja plantação dista 100km de sua casa na zona urbana, onde ficam seus filhos por causa da escola.

O referendo pela discussão em torno do assunto é positivo, embora seja recheado de problemas, por ser tardio, o debate popular em si acontece muito perto da votação. Poucos sabem, mas uma votação da magnitude como essa, para 120 milhões de votantes custa caro. Cerca de R$2-3 por cabeça, parece pouco mas multiplique pela quantidade de eleitores. E não é um plebiscito, é um referendo, ou seja, uma consulta popular somente, não é decisão final. Até hoje nem sabia que existia essa modalidade de voto.

terça-feira, outubro 04, 2005

Referendo sobre a Comercialização de Armas e Munições

Assunto complexo de ser tratado brevemente. Embora na prática o que chamo de 'quase proibição' já esteja estabelecida pois a dificuldades e requisitos na compra de arma e do porte de arma aumentaram.

Um agravante a essa votação está no que chamo de debate fraco e pusilânime. Na maioria em 'comerciais televisivos'. Isso aliado ao fato do alto índice de analfabetismo funcional corrente. Levando-me a caracterizar nossa população votante de volúvel e altamente sujeito à manipulações por publicidades fortes e apelativas, quando muito recheado de pieguices. E para piorar existe a crença popular que o desarmamento poderia levar a uma redução de criminalidade. No máximo irá reduzir acidentes domésticos de tiros acidentais, o que certamente são exceções e não regras.

O desarmamento poderia ser eficaz em países de pequena extensão territorial onde o atendimento da segurança pública pode ser exercer sua força e repreensão fácil e rapidamente. Entretanto como ficam os países de extensões continentais como nosso Brasil? Haveria policiamento nas regiões distantes e de baixa densidade demográfica como a maior parte da zona rural? Como um proprietário de terra poderá deter possíveis ameaças de invasões de todo tipo a que está sujeito? Na base do grito verbal? Soco? Foice? Certamente ele tem que ter algum tipo de armamento, pelo menos para coagir esses atos externos.

Seriam muito bom se funcionasse, que a justiça fosse rigorosa, que a impunidade fosse nula. Entretanto estamos em uma outra realidade.

Um povo sem acesso a armamento é fácil de dominada, tanto por parte de criminosos como por parte de excessos do governo como acontece em estados de sítio, em crises sociais.

Fica claro pela minha exposição a minha opção nesse assunto. Cheguei a considerar o contrário como uma possível solução para nossa alta criminalidade, entretanto pensando e lendo a respeito me fez mudar de opção. Pois é uma grande sofisma. Se o desarmamento vingar, passarei a estudar formas de combate por meio de armas caseiras, armas brancas.