quarta-feira, julho 26, 2006

Nosso Português

Estava lendo um artigo do jornal Estadão quando vi uma palavra que nunca havia visto: 'refrega' que significa encontro de inimigos ( no caso o artigo é sobre a atual eleição presidencial ). Não sei nem como se pronuncia direito mas com certeza não é proparoxítona e nem oxítona então sobrou paroxítona.

Um costume que tenho desde os tempos que estudei para o vestibular é o de verificar no dicionário quando acontece isso. Apesar da preguiça que me acomete muitas vezes em apanhar o Aurélio ou o Houaiss que tenho aqui, principalmente quando o mais próximo é o grandão e pesado que estão na sala onde costumo ler o jornal. Pensei nisso e deixei de lado e fui olhar. Nem fazia idéia do que essa palavra significava. Mesmo que eu provavelmente tenha visto essa palavra mas não cheguei a verificar o dicionário.

Esse costume me faz ter uma memória boa das palavras raramente utilizadas, aquelas que só vemos lendo jornais ou livros, raramente ouvimos pelos nossos ouvidos. Mesmo que eu passe a impressão de não os conhecer por causa de minha boca suja e minha falta de hábito de utilizar palavras mais nobres e usar menos as de baixo calão, palavrões. Lembro-me disso principalmente quando quem me corrige isso é meu sobrinho afirmando:"Você usou palavra feia." resultado provavelmente da rigidez da minha irmã com ele.

Considero isso um paradoxo, mesmo sabendo não ser a única vítima disso. Há quem diga que o uso de palavras ditas "coloquiais" nos faz aproximar melhor das pessoas mais humildes e de baixa escolaridade e as crianças. E ao contrário, o uso de palavras mais "cultas" nos aproxime do nicho oposto de pessoas. Embora sempre eu tenha tido na mente que o uso de palavrões fosse uma forma de interjeição e ser mais expressivo na demonstração emotiva, ou talvez pior, de pieguice. Mas não me faz deixar de lado minha opinião que seu uso revela a pobreza de raciocínio e hábito de uso de seus equivalentes menos vulgares. Isso me faz lembrar meu irmão que ao invés de dizer "Sac*!" ou "Que sac*!" diz "Sacola" coisa que ele faz há muitos anos. Apesar que qualquer um que ouça isso saiba o que ele quis dizer evitando o uso da outra.

Enfim, preciso voltar a ler mais o jornal e deixar de só folheá-lo olhando as imagens e fotos. Voltar a ler um Machado de Assis.

terça-feira, julho 11, 2006

Feira de Ciências - 8a série - Motor Iônico

Sem dúvida esse foi minha melhor demonstração em feira de ciências que realizei. Sua montagem e explicação foram descritas na Saber Eletrônica antiga, de 1986, eu devo tê-la guardada em algum lugar, não recordo onde. Durante a feira, lembro que a maioria dos curiosos não entendiam muito bem minha explicação, mas valeram por alguns loucos que apareceram querendo entender e entre eles muitos pais de alunos, provavelmente engenheiros ou físicos. O chamariz maior era a complexidade do conjunto.

O princípio do motor iônico ( ou foguete iônico em maior escala) remonta desde os tempos da descoberta de um efeito conhecido como Efeito das Pontas. Resultado de um corpo metálico carregado eletricamente cuja superfície fosse curvilínea ( superfície convexa ) apresentando uma única "ponta". Um exemplo de tal superfície é o formato típico de uma gota d´água. Na ponta é formada a ionização de um gás.

A mesma montagem foi descrita na revista Mecatrônica Fácil com uma breve descrição do princípio online. Bom, mas como é que isso funciona? O escape de cargas pela ponta cria um momento linear ( impulso ) no corpo carregado e em conseqüência da 3a Lei de Newton, lei da ação-e-reação, provocando o movimento rotativo de uma haste. Embora a energia envolvida no motor iônico ser de natureza muito pequena, ela é a de maior eficiência conhecida.

O experimento que utilizei para sua demonstração consistia basicamente um gerador de pulsos elétricos de baixa voltagem ( 12V de automóvel ) equivalente à antiga ignição eletrônica e seu mais antigo platinado. Pulsos que induziam uma bobina de carro gerando alta voltagem ( até 30.000V! mas de baixíssima corrente ). Em sua saída de alta voltagem havia uma haste pivotada com uma agulha soldada perpendicularmente. Essa agulha cumpria a função de "ponta".

O gerador de pulsos era um mero multivibrador astável da experiência do ano anterior ( não usei a mesma montagem mas foi um circuito equivalente) em série com um transistor que foi difícil de encontrar: um TIPL763, lembro do código até hoje, rodei a Santa Ifigênia inteira na época para encontrá-lo, um componente caro, custou o mesmo que a bobina do carro, algo em torno de R$50,00 atualmente um só.
Só conheço um amigo meu que tenha feito uma experiência tão louca quanto a minha, o Lud cujo grupo fez um motor VW movido a hidrogênio, isso há anos atrás, creio que na 8asérie também....claro que não funcionava direito, uma vez que as características de sua combustão diferem muito da gasolina. Mas a iniciativa e a idéia e o primordial, ter um contato prático com aquilo que tanto lemos nos livros e pouco aplicamos.
Talvez eu volte a montar esse circuito de motor iônico novamente, o componente principal eu tenho, só falta arrumar o resto, hehehe. :)