quinta-feira, setembro 18, 2014

Onde está a quarta via?

Eleições várias passadas considero a anulação de meu voto como opção, já o fiz em várias ocasiões. Como uma forma de abstenção, ou mesmo rejeição à situação política atual.

Cada dois anos isso se repete em diferentes níveis, uma como a do presente ano a nível federativo e provincial ou estadual como a maioria diz, talvez porque é mais bonito. E a outra na esfera municipal.

Mesmo com o voto nulo como opção, tento toda vez analisar em quem eu posso votar. Muitas vezes para evitar quem rejeito de eleger-se, infelizmente minha pequena contribuição não teve efeitos para prefeitura atual de minha cidade. O alcaide atual esse que pelo visto, a não ser que eu esteja a ser ludibriado pela imprensa, não está tendo muito sucesso em termos de resultados e soluções. Sim eu sei os problemas são imensos. Resultado de descaso de muitos anos, além de uma dívida colossal na casa dos 6E10 reais para uma receita da metade do valor, na casa dos 3,5E10 reais, temos uma dívida do dobro da arrecadação atual, viva a Lei da Responsabilidade Fiscal! Isso significa que teremos por vários anos uma administração engessada e mumificada, não vou estender nessa problemática financeira.

Voltando às eleições atuais. Não elegemos ninguém do judiciário, concursados e uns poucos-muitos nomeados. Ficamos a definir as pessoas nessa democracia representativa republicana que irão defender nossos interesses: o poder executivo e o legislativo, mas disso você já está careca de saber! Contudo quero tecer uma provocação: a eleição presidencial chegou a um ponto tal nesse ano de 2014 ( e em menor nível eleição dos governadores das provícias ) que parece ofuscar cada vez mais a importância da eleição dos deputados ( provinciais e federais ) e senadores.

De uns anos para cá, a cada eleição comecei a anotar em quem votei no verso do comprovante de votação, principalmente os deputados, senadores e vereadores. Por quê? Esquecimento. Alguns como senador eu lembro bem, claro só os das últimas duas ou três eleições passadas se muito, e são poucos candidatos por vez, uma dezena, sendo uns 3 ou 4 representativos. Deputado e vereador? Eu esqueço. Se tivesse votado no deputado "clown" ou no finado deputado Enéas eu lembraria bem, mas nunca votei neles. Nem precisariam de meu voto, tal como previsto, ganharam como campeões de voto, além de "puxarem" candidatos nanicos do partido pelo conhecido coeficiente eleitoral, o que muitos não conhecem ou ignoram.

Qual minha visão da casa legislativa federal/provincial? Se o Brasil utópico atual funcionasse seria de uma importância tal qual a presidência, a manufatura de leis, de idéias e soluções para os problemas atuais. Mas não, aquilo se assemelha a uma sala de aula onde o professor está ausente, com papos paralelos, cadeiras vazias.
Claro há momentos de seriedade em que eles ficam até tarde da noite para votações, quando querem ou precisam, sob pressão do executivo. Por isso que os papéis estão meio trocados. Onde a presidência e os ministérios que precisam propor as soluções, quando isso deveria ocorrer no legislativo.
É prerrogativa do executivo "executar" as leis e decretos. Mas não, quando há urgência, dá-lhe votação de Medidas Provisórias para implementação de propostas do executivo, para não gerar ruptura de ordem. Claro que isso não tira a possibilidade de um interferir na área do outro, mas isso está demais, MPs são hoje regra, onde deveriam ser exceção.

Ouvindo a propaganda eleitoral desses candidatos legislativos sempre ouço a mesma coisa desde minha infância: "vou trabalhar pela educação, segurança e saúde" sob forma superficial e pobre. Pudera, em 10-15 segundos eles vão falar o quê? Hoje temos a internet, mas poucos param para ler o que cada um deles propõe se eleitos nas páginas que surgem e desaparecem logo a seguir, com algumas exceções também, que ficam perenes, normalmente de políticos mais famosos.

Notadamente ficamos a votar no candidato deputado conhecido do amigo, do vizinho, da família, etc sem saber bem o que irão fazer. Um desprezo a importância desse voto. Eu também acabo por cair nessa, não me excluo.
E quando ganham, salvo exceções ( sempre existem! ) poucos ficam a acompanhar o que andam fazendo em Brasília ( ou Palácio 9 de julho, no caso de São Paulo, deputados estaduais), puderam quem tem tempo para isso?

Ei e o senado? A maioria quase absoluta dos eleitores confundem suas atribuições e atividades com as do deputado, existem semelhanças claro, mas há muitas diferenças, começa que ficam oito anos por vez a renovação é de 2/3 e 1/3 ( como agora em 2014). E há uma singela ordinária característica, cada senador eleito tem dois suplentes meio que "nomeados" pela coligação ou por outras forças, não eleitos por nós.

Enfim, digo que damos reduzida importância a eles. Existe o voto distrital, mas nunca foi adotado amplamente por contrariar interesses.

E essa eleição presidencial está terrível. A cada eleição achava que o fundo do poço era cavado mais fundo, esse deram um jeito de perfurar usando brocas da Petrobrás para exploração do pré-sal presidencial.


sábado, junho 21, 2014

Palácio Monroe - RJ - Antiga casa do Senado Brasileiro

Durante o intervalo de um jogo da copa, disputado entre Argentina e Irã, fui zapear a TV e parei no canal da TV Senado. Estava passando um documentário de como era o Senado nos tempos do Império e da República Velha.

Uma pergunta apareceu na cabeça: "Onde era o senado nessa época, antes da construção de Brasília?" Nos tempos pré-internet eu teria que ir consultar alguém com idade ou alguma enciclopédia brasileira, como Almanaque Abril, citando um exemplo, poucos eram porém. Bom, mas temos a internet então fui usar um mecanismo de busca e encontrei: "Palácio Monroe". De arquitetura diferente para época, um belo de um palácio. Pena que não existe mais, no lugar ficou só uma praça com um chafariz.

Descobri que ele foi implodido na década de 70, aparentemente por causa da construção da linha subterrânea de metro que passaria por baixo, entretanto foi feito um desvio para conservá-lo no lugar. Fontes indicam que isso foi uma desculpa, e que na verdade foi o presidente da época que sancionou a implosão sem necessidade. Tempos de ditadura.

Defensores da modernidade desprezam prédios antigos deixando de lado a preservação histórica. E voltamos a repetir os mesmos erros no futuro sob as mais diversas frentes. Não gostamos de preservar o passado. Temos que ter um olho no passado e o outro no futuro, com os pés e mãos atuando no presente.


sábado, junho 14, 2014

Parasitas

Entre vários assuntos que eu gosto de ler e assistir a respeito está o estudo de parasitas e verminoses. Embora eu nunca tenha tido evidências inequívocas de eu ter tido algum dos dois, certamente fui um assintomático de algum. Mas não estou aqui para ficar falando sobre mim, mas de um caso curioso:

Estava eu assistindo um documentário sobre parasitas que atacam nós humanos, no caso específico teníase. O pesquisador em questão se infestou voluntariamente engolindo um proglotide de Taenia solium. Não vou entrar em detalhes que estão explicados no dito programa, entretanto chamou-me a atenção um parasita que ataca os peixes que eu nunca ouvi falar: Cymothoa exigua. Ele infesta a "boca" do peixe e fica lá se alimentando dos alimentos que o peixe venha a capturar. Aqui ( googleimages ) temos imagens de como ficam, parece até brincadeira de mau gosto, edição de imagens. Que cretino esse bicho. Heheh.

quarta-feira, maio 21, 2014

Porcentagem

Numero que traz por si a idéia de citar alguma proporção ou probabilidade quando necessitamos emitir esse conceito para outrem.

Embutida nele está uma fração de quociente 100. Como ensino de matemática não é de apreciação geral de maioria dos alunos no final do ensino fundamental, uma vez que o conjunto Q dos números é ensinado de forma deficiente.

É mal usada! Como digo isso? Quando vejo números redondos como 15% ou 25%, já começo a pensar, isso foi uma suposição mental chutada, sem bases estatísticas ou de medição real de resultados. Eu sei, porque até eu faço isso. E faço pior: às vezes uso da notação irracional que não é representável com exatidão em porcentagem: 1/3, 2/3, seria o que? 33.333% ou 66.666%? É uma dizima periódica.

 Não estou dizendo para começar a fazer representações exatas disso. Na verdade é para ter apenas uma idéia do valor que queremos dizer e/ou ouvir.

10%? É baixo então, 20% começou a melhorar.
90%? Quase certeza, 100% eeeba! Se for o que esperamos. Ou o contrário se é o que não desejamos ou esperamos.

Isso que eu digo, somos praticantes do art-of-guessing.

Esse foi um post rápido, não vou estender além disso.

Cherrio!

domingo, maio 11, 2014

República da Violência

Não costumo tratar desse tipo de assunto, sempre considerei pobre qualquer tipo de abordagem partindo de minha parte, mas o último ocorrido no sábado anterior dia 3 do presente mês deixa-me estarrecido do nosso atual estado em que vivemos como sociedade.

Meu texto é longo, eu tentei fazê-lo curto, não consegui.

Meu cotidiano é distante e ao mesmo tempo próximo disso tudo. Distante, porque vivo encastelado sob muros de um condomínio e de meu trabalho. Próximo, porque toda vez que ponho meus pés na rua quer seja caminhando quer sob relativa proteção de um automóvel, eu estou exposto a possíveis ameaças exteriores.

Programas televisivos policiais de fins de tarde invadem residências a alimentar e a disseminar  neuroses e medos do cotidiano em todas classes sociais. Audiência garantida disputada entre diferentes canais abertos no tapa por retornos financeiros publicitários cada vez mais crescentes.
A pretexto de "estar por dentro da realidade brasileira" muitos assistem assiduamente tais reportagens. Já tive meu tempo anos atrás no passado que pensava assim. Esporadicamente vejo, não nego, uma vez que o bombardeio existe em casa e a captura é por demais hipnótico, sempre no querer saber mais do que acontece. Tal qual as novelas tão comuns por aqui em terras tupiniquins.

A última modalidade dessa forma de jornalismo é a internet, sob a cortina das redes sociais ou blogs, são bons se bem usados. Qualquer um pode publicar qualquer coisa, afinal somos livres para dizer o que pensamos conforme Art. 220 da Constituição Brasileira. ( I Amendment caso dos EUA )

Mas perfis ocultos ou impessoais a esconder o real autor são usados para publicar notas e comentários de assuntos complicados para os mais diversos fins.

Um amplificador é a má interpretação dos textos do que lemos e depois dizemos verbalmente aos outros e esses que escutam que sem verificar direito tais "notícias" e propagam o viral condenatório.

Um deles da cidade litorânea próxima de minha cidade teceu uma possível suspeita infundada em uma conhecida rede social  e foi o vetor que levou à morte uma mulher em um linchamento coletivo pela semelhança com um suposto retrato falado divulgado. Pelo menos tal autor se apresentou à polícia, assumiu o que fez. Li algumas das centenas de comentários de leitores revoltados a xingá-lo peremptoriamente.

Uma raiva coletiva toma conta da mente das pessoas. Sangue sobe à cabeça. E uma turba incontrolável se forma e vem a atacar uma pessoa como eu ou você caminhando pela rua vem a ser vítima de um ataque de uma multidão, e ela a desconhecer os motivos ou o por quê ou "o que fiz?" para merecer isso, sem entender o que se passava direito.

Difícil saber o que passou na cabeça e na alma da vítima. Uma martelada errada no dedo, um corte, uma queimadura pequena, um chute que atinge a canela no pé da cama nos faz passar por dores às vezes no limite do suportável. O que dizer de pauladas, chutes nas costas e no abdômen? E uma roda de bicicleta no pescoço/cabeça? Todas seguidas e a ouvir uma multidão a xingar ofender e acusar.

Uma mãe que deixa órfã uma filha de 12 anos e uma segunda filha de um ano e um marido. Perderam-na de um dia para o outro. Sem aviso, sem preparo, nada. Vítimas tanto quanto a mãe, cuja ausência certamente fará falta ao longos dos próximos anos.

Sabemos muito bem da impunidade que permeia nosso sistema judiciário, não posso condená-lo, uma vez que pior seria sua inexistência. Isso não é motivo para os linchamentos. Não sou jurista nem advogado a sugerir ideias nesse campo. Muitos defendem uma reforma ou uma nova. Considero complicado porque levam anos para esse tipo de mudança. E poderia haver uma troca de seis por meia dúzia, a um altíssimo custo de horas de trabalho de um grupo grande de pessoas de resultados muito duvidosos.

Sim, a impunidade nos faz aumentar a vontade de se fazer justiça com as próprias mãos, como foi propalado por uma hoje popular repórter que se tornou famosa mas que após comentários do caso do linchamento do menor no poste diminuiu a agressividade após várias reações adversas e na mira de uma ação judicial.

Existe algumas frases muito comuns que servem de reflexão: "A polícia prende e a justiça solta.","Ricos não são condenados" e por aí vai, apesar que nesse último caso, alguns estão na Papuda e quebraram a regra.

Não vivi a antiguidade obviamente, posso só supor. Na sociedade medieval alguns começaram a viver em vilas, que por sua vez viraram distritos, depois cidades. O que no começo era para gerar facilidades e amizades de ajuda mútua cresceu e tomou grandes proporções. Por proteção contra grupos "rivais" ou dominadores. Comércio etc. Certamente um fator disso foi a segurança para poder dormir e viver mais tranquilo do que isoladamente. Parece que as facilidades tecnológicas (tv e internet) no especial caso brasileiro ( ou outrem também) gerou uma reversão de fatores, tem acontecido.
Certamente isso tudo será revertido, só queria saber se vou viver para poder desfrutar, mesmo na velhice.

Isso me fez recordar da forma como morreu o ditador da Líbia anos atrás, guardadas as devidas diferenças entre os dois casos, ambos morreram sob um ataque cruel e impiedoso de uma multidão descontrolada, tudo escrachado na televisão.