quarta-feira, maio 21, 2014

Porcentagem

Numero que traz por si a idéia de citar alguma proporção ou probabilidade quando necessitamos emitir esse conceito para outrem.

Embutida nele está uma fração de quociente 100. Como ensino de matemática não é de apreciação geral de maioria dos alunos no final do ensino fundamental, uma vez que o conjunto Q dos números é ensinado de forma deficiente.

É mal usada! Como digo isso? Quando vejo números redondos como 15% ou 25%, já começo a pensar, isso foi uma suposição mental chutada, sem bases estatísticas ou de medição real de resultados. Eu sei, porque até eu faço isso. E faço pior: às vezes uso da notação irracional que não é representável com exatidão em porcentagem: 1/3, 2/3, seria o que? 33.333% ou 66.666%? É uma dizima periódica.

 Não estou dizendo para começar a fazer representações exatas disso. Na verdade é para ter apenas uma idéia do valor que queremos dizer e/ou ouvir.

10%? É baixo então, 20% começou a melhorar.
90%? Quase certeza, 100% eeeba! Se for o que esperamos. Ou o contrário se é o que não desejamos ou esperamos.

Isso que eu digo, somos praticantes do art-of-guessing.

Esse foi um post rápido, não vou estender além disso.

Cherrio!

domingo, maio 11, 2014

República da Violência

Não costumo tratar desse tipo de assunto, sempre considerei pobre qualquer tipo de abordagem partindo de minha parte, mas o último ocorrido no sábado anterior dia 3 do presente mês deixa-me estarrecido do nosso atual estado em que vivemos como sociedade.

Meu texto é longo, eu tentei fazê-lo curto, não consegui.

Meu cotidiano é distante e ao mesmo tempo próximo disso tudo. Distante, porque vivo encastelado sob muros de um condomínio e de meu trabalho. Próximo, porque toda vez que ponho meus pés na rua quer seja caminhando quer sob relativa proteção de um automóvel, eu estou exposto a possíveis ameaças exteriores.

Programas televisivos policiais de fins de tarde invadem residências a alimentar e a disseminar  neuroses e medos do cotidiano em todas classes sociais. Audiência garantida disputada entre diferentes canais abertos no tapa por retornos financeiros publicitários cada vez mais crescentes.
A pretexto de "estar por dentro da realidade brasileira" muitos assistem assiduamente tais reportagens. Já tive meu tempo anos atrás no passado que pensava assim. Esporadicamente vejo, não nego, uma vez que o bombardeio existe em casa e a captura é por demais hipnótico, sempre no querer saber mais do que acontece. Tal qual as novelas tão comuns por aqui em terras tupiniquins.

A última modalidade dessa forma de jornalismo é a internet, sob a cortina das redes sociais ou blogs, são bons se bem usados. Qualquer um pode publicar qualquer coisa, afinal somos livres para dizer o que pensamos conforme Art. 220 da Constituição Brasileira. ( I Amendment caso dos EUA )

Mas perfis ocultos ou impessoais a esconder o real autor são usados para publicar notas e comentários de assuntos complicados para os mais diversos fins.

Um amplificador é a má interpretação dos textos do que lemos e depois dizemos verbalmente aos outros e esses que escutam que sem verificar direito tais "notícias" e propagam o viral condenatório.

Um deles da cidade litorânea próxima de minha cidade teceu uma possível suspeita infundada em uma conhecida rede social  e foi o vetor que levou à morte uma mulher em um linchamento coletivo pela semelhança com um suposto retrato falado divulgado. Pelo menos tal autor se apresentou à polícia, assumiu o que fez. Li algumas das centenas de comentários de leitores revoltados a xingá-lo peremptoriamente.

Uma raiva coletiva toma conta da mente das pessoas. Sangue sobe à cabeça. E uma turba incontrolável se forma e vem a atacar uma pessoa como eu ou você caminhando pela rua vem a ser vítima de um ataque de uma multidão, e ela a desconhecer os motivos ou o por quê ou "o que fiz?" para merecer isso, sem entender o que se passava direito.

Difícil saber o que passou na cabeça e na alma da vítima. Uma martelada errada no dedo, um corte, uma queimadura pequena, um chute que atinge a canela no pé da cama nos faz passar por dores às vezes no limite do suportável. O que dizer de pauladas, chutes nas costas e no abdômen? E uma roda de bicicleta no pescoço/cabeça? Todas seguidas e a ouvir uma multidão a xingar ofender e acusar.

Uma mãe que deixa órfã uma filha de 12 anos e uma segunda filha de um ano e um marido. Perderam-na de um dia para o outro. Sem aviso, sem preparo, nada. Vítimas tanto quanto a mãe, cuja ausência certamente fará falta ao longos dos próximos anos.

Sabemos muito bem da impunidade que permeia nosso sistema judiciário, não posso condená-lo, uma vez que pior seria sua inexistência. Isso não é motivo para os linchamentos. Não sou jurista nem advogado a sugerir ideias nesse campo. Muitos defendem uma reforma ou uma nova. Considero complicado porque levam anos para esse tipo de mudança. E poderia haver uma troca de seis por meia dúzia, a um altíssimo custo de horas de trabalho de um grupo grande de pessoas de resultados muito duvidosos.

Sim, a impunidade nos faz aumentar a vontade de se fazer justiça com as próprias mãos, como foi propalado por uma hoje popular repórter que se tornou famosa mas que após comentários do caso do linchamento do menor no poste diminuiu a agressividade após várias reações adversas e na mira de uma ação judicial.

Existe algumas frases muito comuns que servem de reflexão: "A polícia prende e a justiça solta.","Ricos não são condenados" e por aí vai, apesar que nesse último caso, alguns estão na Papuda e quebraram a regra.

Não vivi a antiguidade obviamente, posso só supor. Na sociedade medieval alguns começaram a viver em vilas, que por sua vez viraram distritos, depois cidades. O que no começo era para gerar facilidades e amizades de ajuda mútua cresceu e tomou grandes proporções. Por proteção contra grupos "rivais" ou dominadores. Comércio etc. Certamente um fator disso foi a segurança para poder dormir e viver mais tranquilo do que isoladamente. Parece que as facilidades tecnológicas (tv e internet) no especial caso brasileiro ( ou outrem também) gerou uma reversão de fatores, tem acontecido.
Certamente isso tudo será revertido, só queria saber se vou viver para poder desfrutar, mesmo na velhice.

Isso me fez recordar da forma como morreu o ditador da Líbia anos atrás, guardadas as devidas diferenças entre os dois casos, ambos morreram sob um ataque cruel e impiedoso de uma multidão descontrolada, tudo escrachado na televisão.