terça-feira, junho 13, 2017

Morte, crime e doença

"Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa." - Lima Barreto - escritor brasileiro (1881-1922) na obra Diários Íntimos

Abstenho-me de continuar com textos que tenho escrito anteriormente. O fel basta por si só, a cercar muitas conversas, nos textos, jornais escritos e televisivos. Não é levar o niilismo às últimas consequências, certamente pensar no contexto continua, não há como evitar. Temos já um caldo de cultura excelente para muitos estudos futuros mas com tendências de difíceis de conhecer, tal como muitos tem feito em ensaios por analistas.

sexta-feira, maio 26, 2017

Crise de 2017 Brasileira

Não sou estudante de história econômica para assegurar impressões atuais. Tampouco fiz revisão para não me aprofundar no desgosto de observar uma crise a mais a aproximar no horizonte com um olho no passado e o outro no agora, a tornar-me mais míope ou mesmo vesgo. São opiniões, e como todo humano da qual sou um participante, sujeito a falhas e erros.

Complicado é quando lemos ou ouvimos opinião de outros em jornais ou rodas de pessoas, mormente quando o assunto tratado diverge ou pior cria enlaces emocionais terríveis a fustigar a raiva e o sangue; a levar à animosidade e a uma vociferação verbal e no pior caso, uma agressão física. Já tive momentos como esse em meu passado, poucos ainda bem. Opiniões e/ou opção política nunca deveriam balizar as bases de amizades, mesmo as superficiais que se rompem à simples exposicão delas, quer nas discussões pessoais, quer nas redes sociais.

Anos atrás muitos diziam termos uma democracia madura, sempre discordei disso, mas pensava se eu estivera errado. Percebi que não errei. As polarizações 'left' e 'right' -wing nas redes sociais ocorreram e conflitos de rua entre manifestantes são reflexo de imaturidade democrática que temos, grupal e individual. O primeiro é acentuado pelo efeito manada, onde até os moderados participantes acabam por descambar a posicionamentos extremos tal qual ocorre em brigas de torcida. E o segundo caso quando rompemos com amigos pela simples menção de ser partidário de um partido ou outro, liberal ou nacionalista. A tolerância a divergência continua muito baixa e nunca saiu do nível que sempre esteve, só ficou enrustido nos últimos anos desde a redemocratização.

Torci que a administração Temer fosse dar certo, mesmo no final de 2016 no princípio dos aparentes descaminhos, confiava como passo para melhorias. Mesmo ele, nosso administrador-mor, dinossauro de nossa república como muitos outros ainda presentes no país. Deveriam antes estar a formar novos políticos ingressantes na busca da modernidade, bem-aventurança brasileira, na ética e bons costumes e acima de tudo a nação em primeiro lugar, mas na verdade no lugar disso tudo é o umbigo que vem em primeiro lugar. A viciar os ingressantes com os velhos hábitos e conchavos ubíquos da política brasileira a arrastar desde os tempos do império e colônia.

Torci pelo Temer porque esperar por um próximo postulante significa mais atraso, mais incerteza e mais fisiologismo que o já existente. Um novo impeachment irá tomar o ano todo. Uma eleição direta? Apesar de ser o anseio popular é totalmente inconstitucional. Toda vez que quisermos trocar o presidente teremos eleição? Uma loucura e um processo muito caro, mesmo que seja só para presidente, levaria um outro ano todo, entre campanhas, coligações, conchavos, acordos. Quem seriam os candidatos para hoje? Os mesmos de sempre, representantes da República Contemporânea VELHA Brasileira.

Presencio hoje um administrador-mor desgastado pela imprensa, pelos políticos que não ajudam, pela implosão gerada pelo judiciário e gigantes nacionais empresariais de carne e petróleo, resultado de bondades do governo anterior. Acossado pela população pela crise atual, pelo desemprego e badernas de manifestações.

Mas estamos aqui, espero que aprendamos com isso tudo.

 Como gosto de pensar nos “e se” às vezes, penso, como teria sido se Tancredo não tivesse morrido em 1986? Como estaríamos? Já foram 31 anos de muita coisa.

sexta-feira, abril 14, 2017

Sepse Brasileira - Uma Paralisia

Tive a esperança que fosse ter êxito, mas já ruiu face à realidade presente. Administração essa eivada de problemas e falta de apoio parlamentar, cujo quid-pro-quo nefasto é por demais exagerada, vícios perenes de difícil extinção do comportamento humano dos partícipes da cadeia decisória brasileira tal qual um vício químico quando a escassez de acesso e ingestão faz perder a racionalidade.

É dito como ilegítimo o atual administrador-mor. Opinião igualmente dependente da conveniência dos envolvidos. Os prejudicados assim afirmam por mera condição desfavorável e os favorecidos inversamente não sê-lo por uma co-participação de todos tipos.

A corrente caçada em processo iniciado pela justiça fez tremer todo o conforto dos grupo dos outros dois poderes. O resultado de difícil previsão, uma vez que prevalecerá as regras subterrâneas de chantagem e favorecimento financeiro que deturpam há tanto tempo a relação dos três poderes.

Tanto tempo? Uma herança dos tempos de colonização e império vícios como citei antes que perduram até o presente, a única diferença é como um câncer, que começa pequeno, cresce, passa a formar metástases a contaminar tudo que o cerca e que no fim leva ao colapso e à sepse, quando tudo para de funcionar e a consequente morte.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

Goebbelianismo Político Brasileiro

Joseph Goebbels, notável marqueteiro do terceiro Reich que aplicou na prática antes da difusão desse qualificante adjetivo comum atualmente no começo do século 20 na Alemanha. Ele foi o precursor? Não posso afirmar com certeza, afinal acredito que engenharia social, aqui coletivo provavelmente existe há muito mais tempo. Mas as dimensões de alcance de massas e o fanatismo gerado provavelmente um dos precursores, ajudado pela radiodifusão e imprensa.

O verbo pode ser usado nos dois lados do maniqueísmo, conforme a conveniência dos envolvidos. Normalmente um vendedor usa dessa ferramenta para vender um produto encalhado ou de venda difícil ou mesmo aplicar um preço irreal a incautos. Uso da lábia, convencimento, agrado, tapinha nas costas, o olhar. O produto pode ser bom ou ruim, não importa para ele. É preciso vender, receber as verdinhas e passar a mercadoria para frente, com o máximo do primeiro e o mínimo do segundo. E o comprador por sua vez quer o inverso, o mínimo e o máximo respectivamente.

Nosso ex-governante barbudo repisou esses dias como a salvação, o remissor brasileiro. A usar de goebbelianismo na tribuna, na platéia. Acossado pelo sistema judiciário e pela queda e desunião de seu partido, sabe que por aclamação popular ou mesmo como um "herói" brasileiro desfaria essa trágica tendência se nada for feito, a tornar-se intocável novamente. Ele é vendedor de si próprio, da imagem, quer o máximo de verdinhas e o mínimo do produto entregar, por melhor que as intenções quanto ao último.

Os governos, da mesma maneira usam-se de goebbelianismo para iludir, em contextos ruins de maneira a alavancar o otimismo, a melhoria e o desenvolvimento. Claro deve dizer a realidade e afirmar o empenho quanto às melhorias. Afinal um governo negativista de nada serve, só levaria a piora. Aqui também temos o produto, os serviços do governo: educação, saúde, segurança, etc e a contrapartida, as verdinhas, na forma de coleta de impostos e taxas, as cobranças.

quinta-feira, janeiro 05, 2017

Niilismo Político

No texto de ontem afirmo torcer pelo dirigente presidencial que tivermos, quer esteja tomando decisões certas ou erradas. Ele está lá, e eu aqui.

Os três poderes ajudam-no ou não, muito mais pautado pela conveniência de pequenos grupos ou pior pelo interesse individual invés de ser pelo interesse geral da nação, como deveria ser. Vide o caso do ministro que caiu por usar "influence peddling" visando facilitar a construção do prédio onde adquiriu um dos apartamentos que viria a ser erguido em um lugar indevido, a chegar ameaçar o outro ministro que pediu renúncia por recusá-lo, para reverter o imbróglio do edifício. Contava que esse baixaria a cabeça e obedeceria, pensou errado, sabia do risco, mas o costume desde o período imperial fora um da hierarquia menor ceder ao maior.

Torço pelo mandato atual porque mesmo que esteja contra minha vontade, pouco posso fazer. Um pensamento niilista esse que tenho. E participar de manifestações? Entrar para um partido político? Tornar-me um político?

Mudanças heterodoxas sempre tiveram resultados imprevisíveis e ruins. O atual PEC do presidente atual também o é. Ele é um Plano Cruzado do orçamento, mas deixou intocado a política do pagamento de juros de dívida pública, claro ele foi planificado por ninguém mais que um ministro oriundo do mercado financeiro. Concordo que há necessidade de mordaça nos gastos públicos. A dívida pública galopante cresceu por causa dele, assim como os juros para pagá-lo. Certamente se o próximo mandato for da oposição, haverá um outro PEC de retificação desse que fora aprovado.

Torço pelo mandatário atual porque ser do contra atrasa nosso país pois entramos em compasso de espera pela vinda nas próximas eleições, ou seja só em 2018. Como leio algures, "Cada país tem o governante que merece."

quarta-feira, janeiro 04, 2017

A Capa da Revista Semanal Brasileira

Surpreso fiquei ao retirar a revista semanal muito popular aqui, não a gosto muito pela parcialidade característica de suas reportagens, folheio com extrema desconfiança. E essa semana sua capa mostra a esposa do presidente de nosso país de perfil.

Minha tendência me faria fazer uma busca de comentários a respeito antes de escrever essas poucas palavras, que com certeza já existem. A falar bem ou mal, como sempre ocorrem. Não me lancei a esse expediente, escrevo aqui com a mente crua destituída de julgamentos, críticas e análises de outrem. Tão somente escrevo meus, claro que existirão pensamentos comuns e coincidências que muitos possam atribuir à negação da afirmação anterior.

Essa capa seria uma maquinação de uma busca de apoio, simpatia popular que ele, nosso presidente não tem? É uma tentativa de trazer o efeito Eva Perón por aqui? Longe de fazer juízos de semelhança com nosso país vizinho, só um pensamento que apareceu.

A administração política nacional atual aparenta falta de resultados, afinal difícil é desfazer ou arrumar a casa que foi conturbada por desmandos de mais de uma década em apenas meio ano. Quero que ela funcione, que conserte, não podemos desejar o contrário, por mais que muitos grupos almejem isso.

À semelhança dos outros dois líderes que tivemos, falta ao nosso administrador-mor atual a experiência de governador, de alcaide de alguma grande cidade heterogênea e ter tido bons resultados nesses, ou até mesmo como administrador de grande empresa. Isso incute vícios, não nego. Mas lidar com grupos heterogêneos é importante. O nosso presidente atual até tem experiência nisso, mas a nível de congresso, no legislativo, não como executor. E o poder legislativo não parece ajudar muito, muito afeito ao quid-pro-quo.

O barbudo que esteve lá anteriormente foi líder de sindicato, um bem heterogêneo até. O que esteve antes dele, um normalmente referido com três letras consoantes também inclui nesse rol, líder foi do partido dele mas nunca foi prefeito, governador ou diretor de empresa.

A cada tempo sempre quis que cada um dos governantes funcionassem bem, com meu agrado ou não. Dos quatro últimos faltarem com as características supramencionadas pelo menos o barbudo aparentava simpatia, o "três letras" assemelhava um falastrão, bom de conversa, mas um duas caras. Os dois últimos são muito recentes para juízos de valor. Até poderia emitir...

O quinto anterior, um que ficou dois anos, o primeiro eleito pelo voto, que ganhou do barbudo na época, foi governador de um estado, mas mesmo assim, no alto de sua prepotência perdeu todo apoio, parlamentar e popular, e acabou por cair.

Não há características ou formação que façam um bom governante, claro a ética é essencial, o respeito e bom relancionamento com os outros dois poderes, e os ministros.

Parece que estamos fadados a uma situação de distopia moderada, com a situação a melhorar e a definhar ao sabor de contexto mundial, e para piorar a desonestidade a sabotar os nossos destinos quando os ventos estão a favor.