sexta-feira, maio 26, 2017

Crise de 2017 Brasileira

Não sou estudante de história econômica para assegurar impressões atuais. Tampouco fiz revisão para não me aprofundar no desgosto de observar uma crise a mais a aproximar no horizonte com um olho no passado e o outro no agora, a tornar-me mais míope ou mesmo vesgo. São opiniões, e como todo humano da qual sou um participante, sujeito a falhas e erros.

Complicado é quando lemos ou ouvimos opinião de outros em jornais ou rodas de pessoas, mormente quando o assunto tratado diverge ou pior cria enlaces emocionais terríveis a fustigar a raiva e o sangue; a levar à animosidade e a uma vociferação verbal e no pior caso, uma agressão física. Já tive momentos como esse em meu passado, poucos ainda bem. Opiniões e/ou opção política nunca deveriam balizar as bases de amizades, mesmo as superficiais que se rompem à simples exposicão delas, quer nas discussões pessoais, quer nas redes sociais.

Anos atrás muitos diziam termos uma democracia madura, sempre discordei disso, mas pensava se eu estivera errado. Percebi que não errei. As polarizações 'left' e 'right' -wing nas redes sociais ocorreram e conflitos de rua entre manifestantes são reflexo de imaturidade democrática que temos, grupal e individual. O primeiro é acentuado pelo efeito manada, onde até os moderados participantes acabam por descambar a posicionamentos extremos tal qual ocorre em brigas de torcida. E o segundo caso quando rompemos com amigos pela simples menção de ser partidário de um partido ou outro, liberal ou nacionalista. A tolerância a divergência continua muito baixa e nunca saiu do nível que sempre esteve, só ficou enrustido nos últimos anos desde a redemocratização.

Torci que a administração Temer fosse dar certo, mesmo no final de 2016 no princípio dos aparentes descaminhos, confiava como passo para melhorias. Mesmo ele, nosso administrador-mor, dinossauro de nossa república como muitos outros ainda presentes no país. Deveriam antes estar a formar novos políticos ingressantes na busca da modernidade, bem-aventurança brasileira, na ética e bons costumes e acima de tudo a nação em primeiro lugar, mas na verdade no lugar disso tudo é o umbigo que vem em primeiro lugar. A viciar os ingressantes com os velhos hábitos e conchavos ubíquos da política brasileira a arrastar desde os tempos do império e colônia.

Torci pelo Temer porque esperar por um próximo postulante significa mais atraso, mais incerteza e mais fisiologismo que o já existente. Um novo impeachment irá tomar o ano todo. Uma eleição direta? Apesar de ser o anseio popular é totalmente inconstitucional. Toda vez que quisermos trocar o presidente teremos eleição? Uma loucura e um processo muito caro, mesmo que seja só para presidente, levaria um outro ano todo, entre campanhas, coligações, conchavos, acordos. Quem seriam os candidatos para hoje? Os mesmos de sempre, representantes da República Contemporânea VELHA Brasileira.

Presencio hoje um administrador-mor desgastado pela imprensa, pelos políticos que não ajudam, pela implosão gerada pelo judiciário e gigantes nacionais empresariais de carne e petróleo, resultado de bondades do governo anterior. Acossado pela população pela crise atual, pelo desemprego e badernas de manifestações.

Mas estamos aqui, espero que aprendamos com isso tudo.

 Como gosto de pensar nos “e se” às vezes, penso, como teria sido se Tancredo não tivesse morrido em 1986? Como estaríamos? Já foram 31 anos de muita coisa.

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